Mantega: a crise é “forte” e “mundo vai desacelerar”

Um dia depois de ter recomendado aos brasileiros que consumissem, Guido Mantega pintou a crise global com as cores do realismo.

 

Acha que a encrenca será longeva e terá efeitos nefastos sobre a economia mundial:

 

“Vamos ter um forte impacto na atividade econômica, na economia real, e o mundo todo vai desacelerar e isso está ficando nítido agora”.

 

Em verdade, isso não “está ficando nítido agora”. O governo é que trazia os olhos embaçados.

 

Esse Mantega de timbre realista surgiu no 3º Encontro Nacional da Indústria, um evento promovido pela CNI, em Brasília.

 

O ministro informou que, nesta quarta (29), o conta-gotas que o governo vem manejando no combate à crise vai pingar mais uma providência.

 

Trata-se de uma linha de crédito destinada a prover capital de giro a construtoras de moradias. Coisa de R$ 3 bilhões. Dinheiro das arcas da Caixa Econômica Federal.

 

Em resposta a um pedido de Armando Monteiro, presidente da CNI, Mantega disse que o governo estuda também a hipótese de postergar a data do recolhimento de tributos federais.

 

Em meio à secura do mercado de crédito, seria uma forma de reter no caixa das empresas por um prazo maior o dinheiro que elas terão de repassar ao fisco.

 

Presente ao encontro, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) realçou a importância do papel do governo no enfrentamento da crise.

 

“Acho que o Estado tem que ser o grande parceiro do setor produtivo neste momento”, disse Mercadante. Avalia que a ação deve sustentar-se sobre três pilares:

 

1) Restabelecer o sistema de crédito; 2) Manter a estabilidade econômica; 3) E incentivar a produção e o crescimento.

 

Outro convidado da CNI, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), imprimiu à sua participação um timbre de ameno oposicionismo.

 

Acha que as medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo “não estão acima do necessário”. Discorda, porém, do método:

 

“Surpresas, como a edição de medidas provisórias uma atrás da outra, algumas radicais, não trazem confiança”.

 

Para Tasso, o governo errou ao injetar as construtoras na medida provisória que permite ao BB e à CEF adquirir ações de instituições privadas.

 

O senador faz uma distinção entre construtoras e casas bancárias: “Um banco, quando quebra, vai levando os outros. É um caso diferente”.

 

Como se vê, trava-se em Brasília uma peculiar luta de boxe. Uma luta em que a Viúva entra com a cara.

Escrito por Josias de Souza

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