Falta de novas vacinas e remédios fez tuberculose ressurgir, diz especialista
Bactéria da doença também criou resistência porque tratamento é difícil.
De acordo com médico, faltam incentivos para avançar na pesquisa.

Um caso clássico de seleção natural está fazendo a humanidade perder a guerra contra a tuberculose. Embora a doença seja coisa do passado nos países desenvolvidos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma pessoa seja infectada pela bactéria causadora da tuberculose a cada segundo no planeta, levando a quase 2 milhões de mortes por ano. A culpa, afirma um especialista alemão da ONG Médicos Sem Fronteiras, é a falta de novos medicamentos e vacinas contra o microrganismo nas últimas quatro décadas — situação que precisa ser revertida com urgência.
“Como faz 40 anos que nenhuma droga nova é desenvolvida, a bactéria acabou se tornando resistente a todos os medicamentos existentes”, contou ao G1 o especialista Tido Von Schoen-Angerer, que está no Brasil para participar de um encontro internacional sobre a doença por ocasião do Dia Mundial do Combate à Tuberculose, que acontece nesta terça (24).
“O outro grande problema é que o tratamento é lento e complicado, durando pelo menos seis meses, e nos países pobres os pacientes têm muita dificuldade de segui-lo até o fim”, conta ele. Trata-se de uma receita para o desastre, porque os tratamentos interrompidos acabam gerando sobreviventes da população de microrganismos no corpo das pessoas infectadas. E os micróbios que sobraram tendem a ser os que apresentam algum grau de resistência aos medicamentos, os quais acabam sendo passados para outras pessoas, o que faz com que elas sejam mais difíceis de curar. Trata-se de um caso clássico de seleção natural — no caso, a sobrevivência e multiplicação dos microrganismos mais resistentes.
Com cerca de 9 milhões de novos casos registrados por ano, a tuberculose também assusta por causa de sua associação com a Aids. “Isso é particularmente grave nos países do sul da África”, conta Von Schoen-Angerer. Como os pacientes com Aids têm o sistema imune (de defesa do organismo) enfraquecido, a doença se espalha com facilidade entre eles e, muitas vezes, acaba sendo a causa direta de sua morte.
Prevenção
”Vacinar esses pacientes com sistema imune enfraquecido seria difícil, mas se conseguíssemos uma vacina eficaz para a população em geral, teríamos um reservatório menor para a bactéria, o que diminuiria a infecção dos pacientes com Aids”, afirma o médico alemão. “Também poderíamos tomar mais cuidado em hospitais, separando os pacientes de Aids dos pacientes com tuberculose.”
O grande problema, no entanto, é investimento. Segundo Von Schoen-Angerer, é preciso muito mais dinheiro para pesquisa em novos medicamentos e novas vacinas contra a tuberculose. “Hoje, esse financiamento vem quase exclusivamente da Fundação Bill e Melinda Gates”, diz ele, referindo-se ao órgão criado pelo fundador da Microsoft e sua mulher. A situação atual envolve uma série de possíveis novas vacinas, ainda sem eficácia comprovada, bem como alguns testes de drogas, um dos quais, na África do Sul, está se revelando promissor.
Mas, como são as populações mais pobres do planeta as mais ameaçadas pela epidemia, estratégias mais inovadoras precisam ser pensadas, diz o médico alemão. “Uma forma de incentivar a pesquisa poderia ser a criação de um prêmio em dinheiro para os criadores de novas abordagens contra a tuberculose”, sugere ele. “Quando remédios promissores surgirem, seria interessante criar um acordo para que eles sejam considerados genéricos desde o começo, com laboratórios competindo para produzi-los. Isso aumentaria a eficiência e diminuiria os custos relativamente rápido”, afirma.
Fonte: G1
Médico ensina a reconhecer os sintomas e os fatores de risco do AVC
Problema é cada vez mais comum e requer tratamento imediato.
Hipertensão, diabetes e tabagismo aumentam chance de derrame.
O acidente vascular cerebral sofrido pelo deputado Clodovil Hernandes mostra a importância do conhecimento, por parte da população, dos sinais e sintomas desse problema. Os acidentes vasculares cerebrais ou derrames, como são conhecidos pelos leigos, podem ser de dois tipos: isquêmicos, quando falta sangue ao cérebro, ou hemorrágicos, quando acontece um sangramento dentro do cérebro.
Nos acidentes hemorrágicos, um vaso sanguíneo, artéria ou veia se rompe e o sangue se espalha. Um bom exemplo de como isso pode ocorrer é a ruptura de um aneurisma. Já os acidentes isquêmicos acontecem quando uma artéria fica obstruída, impedindo o fluxo de sangue normal para as células do cérebro. Dependendo da localização da artéria obstruída, uma área maior ou menor do cérebro ficará sem receber oxigênio e nutrientes.
Como reconhecer um AVC
Os acidentes vasculares cerebrais são emergências médicas, e o tempo é o fator crucial para permitir um atendimento adequado e melhores chances de recuperação, além de menos sequelas posteriores.
Portanto, é importante lembrar que qualquer pessoa que apresente uma alteração que possa significar uma mudança do funcionamento cerebral deve ser levada a um serviço de emergência para avaliação. Quais os sinais que devem ser observados?
Perda súbita da força ou dos movimentos em um dos membros ou face, geralmente atingindo um dos lados do corpo; perda da visão de um dos olhos de forma súbita; dificuldade de equilíbrio do corpo para caminhar ou mesmo se manter de pé; dor de cabeça súbita e muito intensa inesperada.
Uma observação importante: todos esses sinais podem ocorrer de forma fugaz com recuperação espontânea, mas mesmo assim a avaliação especializada é indispensável.
A prevenção, como sempre, é a melhor opção. Para isso, é preciso conhecer os principais fatores de risco para a ocorrência de um AVC. A hipertensão arterial é a principal causa associada aos derrames. Os hipertensos, se não tratados adequadamente, têm de quatro a seis vezes mais chances de sofrer um AVC. Estudos científicos mostram que, apesar do diagnóstico de hipertensão ser feito com frequência, o tratamento não é seguido na maioria dos casos.
Além da hipertensão, outros fatores contribuem para tornar o acidente vascular cerebral uma epidemia real em nossa sociedade. A fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração, aumenta o risco de derrames. O diabetes e o tabagismo também são vilões para a ocorrência de um AVC.
As opções de tratamento
O cérebro humano, quando atingido por um acidente vascular, pode ser salvo se receber tratamento adequado e em tempo. Os acidentes isquêmicos são os mais freqüentes, respondendo por mais de 85% dos “derrames” — aqueles causados quando uma artéria fica obstruída por um coágulo, impedindo o sangue de alimentar as células.
Existe um tratamento para desobstruir as artérias: trata-se da injeção de uma substância capaz de dissolver esses coágulos – os trombolíticos. Ela atua sobre o coágulo e pode restaurar o fluxo natural de sangue. Infelizmente, poucos pacientes recebem esse tratamento.
Mesmo nos Estados Unidos, segundo um trabalho realizado pela Cleveland Clinic de Ohio, somente 2% das vítimas de acidentes vasculares cerebrais recebem o tratamento com trombolíticos. A principal causa para essa pequena utilização está no fato de que o tratamento só é efetivo se for administrado nas primeiras três horas após o início dos sintomas.
Além dessa razão, existem contra-indicações ao método que devem ser respeitadas pela equipe que está tratando da vítima do derrame. Um paciente tratado a tempo pode ficar sem déficits neurológicos ou ter as conseqüências do problema bastante diminuídas.
O que deve ser feito
É muito importante prevenir a ocorrência dos AVCs através do controle dos fatores de risco. Além disso, é fundamental que a população reconheça os sintomas dos derrames a tempo e que o tratamento esteja disponível para todos que precisarem.
Fonte: G1 – Por Luis Fernando Correia (médico e apresentador do “Saúde em Foco”, da CBN)
Escrito por eduardoferreira

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